Sunday, July 5, 2009

Sentir


O quanto as coisas mais pequenas nos podem pareçer ameaçadoras . . .
O quanto constrangem
revelam
O quanto os venenos leves nos condenam
O quanto na verdade nos matam
E gozam
O quanto dependemos deles

Pesadelos

Todas as noites e todos os dias
procuram.me
alvejam.me
caçam.me a tiro
é santo o último ar que respiro
mas não me protege do inferno sou

Eu deito e não durmo
eu rodo e rodo
envolto no perfume
de quem ama e morre
eu espanco a cabeça
imploro parar
a santa remessa
que um dia me viu mudar

Veneno que tomo
por mais que me brigo
ter.me feito um homem
ter outro que me castiga
sinto.me numa selva a ser caçado assim
que o jogo começe
não há vida em mim

Friday, July 3, 2009

As amigas do café

Lá no café
tomam lugar as amigas
carregadas de pulseiras e carteiras
a contar suas intrigas
Acreditam plenamente
que o mundo não se muda
que o amor são só dois dias
e dizem-lo a todas
dizem-lo a todas
para que ninguém jamais se iluda

Um dia apareci por lá
e vê que fui aplaudido
ai que homem, que caralho
sussuravam no escondido

Passam horas passam dias
e o café nunca lá muda
está firme e bem, entra mais alguém
Mas que homem! Que caralho !
Pareçem berros por ajuda

É que as lindas das amigas com as sacas e intrigas não perceberam que o sitio se apoderou delas
que ficaram coladas num vicio de rodadas de caralhos e homens de cafés e coisas belas

Vim por passagem eu admirar as luzes coloridas em cantos escondidos onde elas se encontravam
e não encontrei conforto nem vida na maneira atrevida como elas me olhavam

Quero ser livre
E ninguèm percebe porque
Rasgar as cordas que me atam
que me confrontam e matam
e me levam e me levam
contra minha vontade a perder me na vaidade
das sacas e pulseiras
do quanto mal me queiras
das amigas já perdidas
desgastadas, sucumbidas
que nunca sairam do café para serem humanos,
que se rodam e movem em cavalos troianos . . .